Iduna no resgate da nossa juventude

Loki entendeu que tal atitude estava para além dos termos do acordo e, com raiva, atirou com forte ramo em direção à águia, que o arrebatou com as garras, sem dar tempo a que o deus do fogo se libertasse e com ele voou alto no céu. Apavorado, Loki implorou que o libertasse, mas a águia - que era Thiazi, o gigante das montanhas ruidosas disfarçado - recusou-se a fazê-lo até que Loki jurasse levar-lhe Iduna e os seus pomos mágicos. À chegada a Asgard, Loki foi ter com Idun e disse-lhe que tinha encontrado frutos ainda mais maravilhosos do que as suas preciosas maçãs numa floresta para além das muralhas da residência celeste e que ela deveria segui-lo até lá, levando as suas próprias maçãs para fazer a comparação. Iduna cai na armadilha e é raptada por Thiazi, outra vez metamorfoseado em águia, e é levada para a morada do gigante, Thrymheim, "Casa-Trovão", situada no mais alto dos picos das montanhas, cujas torres geladas ameaçavam os campos férteis em baixo.
Na ausência de Iduna, os deuses começaram a envelhecer e ficaram alarmados, questionando quando é que Iduna foi vista pela última vez e alguém relatou que tinha sido vista na companhia de Loki. Os deuses reuniram-se e pressionaram Loki para que lhes dissesse o fim que dera à guardiã das maçãs da eterna juventude. Loki confessou o mal que fizera e sobre ele recaiu a ameaça de que se não resgatasse Iduna estaria condenado à morte.
Freya emprestou-lhe o manto de penas de falcão que agilizou o voo de Loki até Jotunheim, o mundo dos gigantes do frio, onde estava localizado Thrymheim. Feliz coincidência: Thiasi tinha para o mar pescar, deixando Iduna sozinha. Sem perder tempo, Loki transformou a deusa num fruto seco que contém semente (tanto pode ser avelã, noz ou castanha) para que a pudesse transportar nas garras de falcão. Thiazi não gostou, naturalmente, de perder a deusa da vida e voltou à forma de águia, cujas enormes asas agitou com tamanha violência para tentar alcançar Loki. Ao perceberem a aproximação do furioso gigante, os deuses fizeram uma pilha de gravetos em torno da fortaleza de Asgard, dando tempo para que Loki atravessasse a barreira. Depois, os deuses atearam o fogo e as chamas atingiram Thjazi.
A história do rapto de Iduna é muito semelhante ao de Perséfone pelo deus do submundo. Iduna simboliza a capacidade de regeneração da natureza e aporta ainda um importante significado psicológico. Ela regressa do palácio do inverno, Thrymheim, como semente, o embrião de vida latente, sendo a origem de um novo começo. As maças de Iduna ou das Hespérides representam a imortalidade, bem como o ciclo contínuo de renovação como frutos da Árvore da Vida. Iduna é resgatada por Loki, divindade de natureza ígnea que na zoomorfia de falcão, personifica os poderes solares, encarnados por Freya que é quem empresta o seu disfarce.
Thiazi é personificação das forças atmosféricas que castram as forças produtivas da terra, que estão simbolizadas no boi que os deuses tentam cozinhar e não conseguem. Thiazi é desafiado por Loki, num duelo entre a água (gigante) e o fogo (Loki), sendo inverno a vitória é do gigante (águia); mas no retorno de Iduna a Asgard é derrubada pela fogueira (verão) que derrete o gelo e evapora da superfície terrestre os charcos de chuva intensa.
Nesta história descortinamos pistas auxiliares para o período mais escuro da nossa existência. A promessa do regresso da vida é uma certeza e que sobre qualquer desordem é possível edificar fortes alicerces. Haverá sempre uma maçã que nos revelará o conhecimento de nós mesmos, mas para a alcançar temos sempre de mergulhar na perturbação, vencer a solidão ou o medo. Iduna estava longe do reino celeste, mas por pouco tempo: porque a importância da vida faz-nos levantar das cinzas e regressar à felicidade. Juntos, os deuses investiram tudo para libertar a vida do cativeiro!!!!!!
Os deuses rejuvenesceram com a volta de Iduna. Basta descobrir qual é a nossa Iduna para que aconteça o mesmo connosco. Iduna é retratada em estado de eterna adolescência, nos primórdios em que o nosso corpo é mais vigoroso e a nossa mente está pejada de sonhos, de projetos e em que não há barreiras, mas um infinito universo de possibilidades. A "nossa" Iduna está aí, nesse ponto em que a imaginação derrubava o aço.
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