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As várias facetas da Páscoa

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Do hebraico pesakh, «passagem», pelo latim vulgar pascŭa-, «pastagem», pelo latim eclesiástico Pascha-, «Páscoa», in Infopédia
Ora, a Páscoa assinala o êxodo dos Judeus do Egito. Essa passagem simbólica da escravatura para a libertação, que, depois, é assimilada no calendário litúrgicodo Cristianismo com o marco da ressurreição de Cristo, ou seja, da sua passagem de mortal para a condição divina. E que tipo de passagem fazem os seguidores de tradições, cujo sentido varreu-se da memória, por efeito da deterioração dos valores, da consciência de seres também sujeitos a transformação??!!!
O compasso entra pelas casas a dentro, com o crucifixo em bronze - metal dos antigos adoradores das virtudes solares -, em busca do beijo redentor, orientado pelos aromas frescos das primeiras flores da primavera. Um conjunto de símbolos que nos remetem para tradições pré-cristãs, que nos lembravam ser tempo de abrir as portas e as janelas aos abraços do Sol primaveril, fecundante e viril. No beijo dá-se …

Da árvore nasci e para ela a minha alma regressará

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Da semente nasci e fiz-me mulher, de belo tronco e verdejante folhagem. Tornei-me uma árvore, cuja sombra embala o sono do sonhador e o faz viajar pelo Cosmo. Do meu tronco desponta saboroso musgo que alimenta o veado e com ele danço em torno das fogueiras de Beltaine. As aves acariciam-me os cabelos e elevam-me ao ar. Viajo como o xamã por entre os mundos e comunico com os espíritos. A minha vida é rica e plena. Sou, pois, uma bela árvore!
Numa das mais belas traduções da estrofe 19 da Völuspa, compreendemos a grandeza espiritual da árvore sagrada dos nórdicos: Yggdrasil. Árvore Cósmica que podemos ver representada em cada Freixo que encontramos no bosque, símbolo de imortalidade e de ancestralidade, dotado de uma pujança magnânime que arrebata os espíritos ávidos pelo êxtase. É a força e a coragem que, por exemplo, nos inspira o Freixo do Rei visigodo Wamba, que reinou na Egitânia (atual Idanha-a-Velha) e reorganizou o território e enfrentou as invasões dos mouros! Escolhido por Deus…

Viva Cíbele, viva abril de Afrodite

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Vivenciamos os dias consagrados a Cibele. A ela, à deusa guerreira e Mãe dos Deuses, os antigos romanos entregavam-se a aguerridass corridas de cavalo, e ofertavam-lhe presentes. O que oferecemos agora a qualquer das facetas da Deusa? Nada!!! Durante a Megalesia, Cibele despontava a sua grandeza e inspirava os homens (porque se tratava de uma sociedade patriacal) a desafiarem as suas capacidades físicas e emocionais, pois sabiam que honravam a sua existência, honrando a Deusa. Ela conduzia uma quadriga de leões, tal como o arcano do Tarot, a Força, domina os instintos com a suavidade da inteligência, matizada com a influência da sensualidade. Eram tempos de competitvidade, de testoterona, de machos no pico da fecundidade.
O festival durava sete dias (terminando no atual dia 10 de abril) e celebrava a chegada de Cíbele a Roma. A estátua da deusa frígia, feita a partir de um meteorito - tal como a pedra negra venerada pelo universo muçulmano em Meca - entrava na capital do Impé…

Gosto do que nos diz o cavalo

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A cada 30 de março assinala-se o início da metade do mês rúnico, sob a égide da runa Ehwaz, "cavalo". O cavalo é o animal simbólico da camaradagem, fidelidade, da união e em torno dele criaram-se ritos de fertilidade. É, pois, um excelente momento para fomentarmos as nossas relações com os outros, refletirmos sobre a qualidade dessas interações sociais, em que moldes se estabelecem e evoluem. É importante saltar para o lado de fora do círculo que circunscreve essa relação, de modo a filtrar fatores que nos conduzem à perda da nossa indivualidade, do nosso sentido de Ser e até que ponto nos levam a abdicar cegamente de projetos, perspetivas que preencheram a nossa consciência e promoveram e deram coerência á nossa vida.  A ânsia por colmatar vazios emocionais tem, muitas vezes, o efeito entorpecente dos tóxicos químicos que nos precipitam para a dependência do outro, para a aniquilação do que somos. Todos têm o direito de irradiar a sua luz própria e não andarmos todos aqui…

O retorno da Deusa no dia da Anunciação

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Festa da anunciação, 25 de março, dia em que o arcanjo Gabriel desceu ao mundo dos Homens  para "fecundar", por via do Verbo, Maria com a semente de Deus, que nasceria dentro de nove meses, precisamente a 25 de dezembro - outra data especial no calendário de Outros Tempos. O deste dia é um marco primordial para as convicções cristãs, que para prevalecer por entre um arraigado culto banido, mascarou-se com o significado da maternidade divina, poucos dias depois do equinócio da primavera. Hoje, celebra-se, com menos pompa e circunstância, o Retorno da Deusa, montada no seu felino ou nos alvos gansos, a soprar do seu corno a abundância pelos solos que começam a regenerar-se do frio. Ela traz também no seu ventre o filho que tornará a primavera na estação germinativa.   Se é tempo de celebrar o mistério da Encarnação, que conferiu à Virgem o estatuto de "Mãe de Deus", também é o de saudar a portadora da energia crescente da luz e da vida. O seu espírito, outrora pe…

Hoje, falo da Mãe esquecida

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Ao segundo dia de março, mês dedicado a Marte, divindade romana, originalmente, protetora da agricultura, antes de personificar as forças marciais, apeteceu-me pegar e sentir a terra. Gosto do cheiro dessa massa negra,salpicada de granulos de vida e habitada por bactérias benfazejas que operam o milagre do brotar! Gosto também de me fundir aos elementos da Natureza e aos sentidos. Gosto de entrar no útero de uma Mãe em constante alerta e dedicação, e se revolta face aos maus tratos dos seus filhos. Gosto de imaginar o leite a esguichar dos seus mamilos - por isso achei graça à tradição das mães nómadas da Mongólia em limpar o rosto e as remelas dos bebés com o seu próprio leite- e de beber esse líquido reparador e vital. Só imagino...mas também não serei um bom exemplo para falar desses tempos de vinculação à figura materna, pois maltratei os mamilos da minha mãe...não sei, acho que fui tomada por um precoce impulso para a independência, para a liberdade, para a evasão...Talvez por is…

Tenham a coragem de Tyr

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"Quem quiser crescer tem de ir à procurar do lugar e das pessoas entre as quais as suas qualidades possam ser estimuladas e postas à prova.Tem de abandonar a sua casa, os seus hábitos e ir para onde se inventa o novo, onde tudo é possível. Mas para isso é preciso uma grande coragem, uma energia incomensurável", sugere Francesco Alberoni no seu livro Tenham Coragem. Vem isto a propósito ao ouvir os Wardruna, no tema dedicado a Tyr, o deus maneta dos povos germânicos, cujo mitologema está totalmente ensopado de alusões ao espírito intrépido, ao convite audaz de superação dos limites inerciais. É Tyr a personificação da audácia, ao sacrificar a sua mão direita nas fauces do lobo-gigante Fenrir, em prol da ordem cósmica, pelo menos até ao Ragnarok - o ponto de rutura, de degradação de um hierarquia não apenas de deuses mas também da própria humanidade. Tyr não se incomodou pela sua deficiência física, pois a sua convicção em que todo o sacrifício existe um bem maior e libertador…