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Vinália!!! O Poder da irracionalidade

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Esgotam-se as últimas horas dedicadas à Vinália, dia de oferta dos primeiros frutos da vindima. Afrodite e Júpiter juntam-se a esta festa de deleites e de orgia dos sentidos. As ménades agitam os tirsos, simbolizando o poder sobre a fecundidade, e atiçam a excitação das mulheres, que se envolvem numa dança extática, de espasmo orgámiscos.. Báco desfaz-e em gargalhadas sumarentas, desafiando a ordem racional como que a abrir as portas ao irracional que emerge do inconsciente. O caos festivo e cartático faz com que a vida sorria intensamente.  O êxtase telúrco  entranha-se no meu corpo, pronto e sedento de cultivo e entrega-se aos afagos dionísicos, exaltando a virilidade por via da sublimação da fémea. Cantem mulheres!!! A serpente ergue-se das nossas cavidades, lançando hinos atrevidos ao universo!!!! 

A  Vinalia Rustica, festival romano, catulpa para lugares cimeiros a deusa da sensualidade e da prodigalidade. As hetairas preparam a instauração de um novo reinado, ao longo da escuridã…

Mulher, mãe: O Mundo, a vida. Nós Todos!!

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A aproximação do dia da Mãe faz-me lembrar Freya, Cíbele, Deméter, Istar e tantas outras Deusas maternais de forte pendor sensual e promotoras de vitalidade, que o Cristianismo castrou e atirou os órgãos reprodutores para o olvido pecaminoso. Mãe, matéria, água e sexualidade formam uma equação desafiante, cujo resultado remete para a sumptuosidade da alma Humana, transmutada na imersão nas neblinas infernais. A Deusa é Una e a nudez do seu corpo é a mais expressiva representação da alma. Mãe induz a ideia de interior, aconchego, afeto, calor pelas carícias, humidade pelo seu leite, frio quando responsável castigadora. 


Mãe, mulher compõem a base da nossa existência, a profundidade sagrada que dá forma e vida e que luta contra a repressão. Maria, a Virgem, andou pelos cantos da inferioridade dos apóstolos até ao século V; mas venceu a luta, sobrevivendo sob a condição forçada de Mãe de Deus e mais nada...tal como as mulheres após o Cristianismo de São Paulo, o misógino. Sim, Cristo foi …

Ó Frey regressa dos infernos e traz o teu falo

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Freyr, “o Senhor”, está rodeado pelos espíritos das florestas e das fontes. Trata-se de uma Divindade da Terra, que rege as chuvas fecundadoras dos campos. Simboliza também a luminosidade do sol que faz germinar as sementes e promove o crescimento do mundo vegetal. Ao Deus protetor do gado, eram dedicados cavalos, javalis, cães, os viajantes entre-mundos e do reino dos mortos trazem esporos de vida. Os Homens a ele apelavam o seu poder itifálico - paroxismo da sexualidade reprodutiva. Frey era invocado para as boas colheitas e, também, para a paz: no dia da sua celebração, nenhum sangue deveria ser derramado por motivos violentos, nem armas permitidas nos seus lugares santos. Generoso, o "Senhor do Ano repartia a riqueza pelos humanos e, assim, alegrava a sua existência e dobrava a esperança no futuro da prole. Com o seu barco Skidbladner espalhava fortuna pelos pescadores e soprava bons ventos  aos knorr de comerciantes e aos draukkar dos aventureiros dos mares. 
A imagem hierati…

Ser como a Árvore: Vida e Conhecimento

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A árvore dá alimento, habitação, ferramentas, remédios, barcos, fogo, armas, sombra e conforto. É o mais antigo tema pictórico nascido no "ventre" de tempos imemoriais e dele restaram reminiscências da Árvore da Vida, do Conhecimento estampadas em diversas mitologias do mundo antigo. As representações arborescentes da Mesopotâmia ou Assíria, em torno das quais se envolvem duas personagens reverentes, em postura de  apelo e de agradecimento pelas suas dádivas, constituem as ancestrais das Árvores Sagradas da iconografia cristã. A conceção do Universo, sem espartilhos dogmáticos, foi cedendo à subordinação do pecado, e a fruta suculenta de sabedoria "parida" de símbolos da magia feminina, calcada como se fosse veneno.
Vistas como entidades gigantescas vivas a quem a imaginação do Homem primitivo dotava de espírito consciente, as árvores eram garante de "pão", de conhecimento arcano e inspiração de imortalidade. Eram Mulheres-Árvores as parideiras de aliment…

Da terra das bruxas, parti com o riso de Baubo

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Em pleno dia, sob a força do calor do Sol, surgi de surpresa, a sacudir a letargia da rotina do Terreiro das Bruxas. A povoação da freguesia da Moita, no concelho de Sabugal, cruzou o meu caminho em direção à misteriosa Sortelha, terra dos lagartixos, onde se partilha a lenda da Dona Lopa. Mais uma versão, entre muitas, de mulheres do Outro Mundo persistentes  em afrontar os ditames do Cristianismo que as flagelou em superstições. Dona Lopa está na mesma linha da Dama de Pé de Cabra, uma lenda arcaizante de recordações de glória feminina, sem diferenças, nem subjugação. Héteras que o entendimento puritano escarneceu com promiscuidade e incompreensão do poder transfigurador da sexualidade.  Naquele cruzamento, outrora conciliábulo de mulheres de poder, restam memórias amedrontadas por manifestações de espectros que penetraram no subconsciente dos seus habitantes como meros sugadores de vitalidade. Naquele lugar de festim extático, Hécate fora evocada às horas abertas, patrocinando voos …

Do Monte Santo ao templo de Vénus

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A saltar de penedo em penedo, qual cabra-montês, cortei as nuvens em voos xamânicos em busca do luar, cujas sombras ocultam histórias arcaicas e de ligações afectuosas a divindades outrora poderosas, mas subjugadas por sucessivos cruzeiros de pedra rude. Do alto do Monte Santo, onde resiste um castelo dos templários, avistei a capela de São Pedro de Vir a Corça, que por ação misteriosa, o seu alcance por via pedestre me foi dificultado. Uma mão invisível insistiu guiar-me para as portas do Chão do Touro. Animal lunisolar e emblema sagrado da Deusa nascida do imaginário do Homem primitivo e resistente nos rituais do Mundo Antigo. Não estou certa da eficácia do touro em fazer cair dos céus as águas seminais características aos cultos taurinos, pois as bocas das terras por onde andei estavam sequiosas e gretadas - o meu coração partiu-se ao ver o rio Ponsul transformado em lodo seco. A bela e mágica Egitânia (atual Idanha-a-Velha) mantém-se firme e parece bater o pé para resistir ao esque…

As várias facetas da Páscoa

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Do hebraico pesakh, «passagem», pelo latim vulgar pascŭa-, «pastagem», pelo latim eclesiástico Pascha-, «Páscoa», in Infopédia
Ora, a Páscoa assinala o êxodo dos Judeus do Egito. Essa passagem simbólica da escravatura para a libertação, que, depois, é assimilada no calendário litúrgicodo Cristianismo como  marco da ressurreição de Cristo, ou seja, da sua passagem de mortal para a condição divina. E que tipo de passagem fazem os seguidores de tradições, cujo sentido varreu-se da memória, por efeito da deterioração dos valores, da consciência de seres também sujeitos a transformação??!!!
O compasso entra pelas casas a dentro, com o crucifixo em bronze - metal dos antigos adoradores das virtudes solares - em busca do beijo redentor, orientado pelos aromas frescos das primeiras flores da primavera. Um conjunto de símbolos que nos remetem para tradições pré-cristãs, que nos lembravam ser tempo de abrir as portas e as janelas aos abraços do Sol primaveril, fecundante e viril. No beijo dá-se a…