À procura dos anões
Ao percorrer terras mineiras, em Barroca (Concelho do Fundão), onde do seu ventre saíra volfrâmio para gáudio do sustento económico do país, veio à minha lembrança a labuta dos seres minúsculos a quem Ódin deu corpo e existência senciente. Os anões, ou dvergars na língua germânica, de inócuas larvas que consumiam o corpo sacrificado do gigante Ymir no que se transformou no mundo terrestre e em todos os elementos que o compõem, a homúnculos essenciais ao pulsar de vida no subsolo. No submundo em que a luz dificilmente penetra, estes seres de Svartalfaheim forjam a massa subconsciente que enriquece a alma humana e fertiliza a matéria negra da qual se extrai o nosso sustento alimentar. A negritude que oculta os seus rostos e a fraca pujança física condicionam os dvergars a uma presença incompreensível sobretudo para uma sociedade autocrática, estruturada de molde a convencer-nos que não vale a pena escavar bem fundo do que temos dentro, o tesouro oculto que faz...