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Conversa entre o Passado e o Futuro

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"Elas [Nornas] elevam-se no éter cerzindo ténues e transparentes fios entrelaçados em intrincados nós, que se fundem no vazio infinito do universo. Ninguém os vê, mas sentem-nos no esforço limite da alma, do corpo e do espírito. Tão imperecíveis como as montanhas, as três Irmãs simbolizam a inevitabilidade do passado, presente e futuro fabricando no seu tear um eterno tapete (...)" execerto do intróito sobre as Senhoras do Destino, in  Máscaras da Grande Deusa. Deste ponto retomo as minhas incursões pela Mitologia Nórdica como suporte intrepertativo de acontencimentos mundanos. Trata-se de um excelente ponto de recomeço de partilha de eventos recentes na minha vida que têm posto em diálogo o meu passado com o meu futuro, estando eu no centro, como Verdandi, a aguardar pelo crescimento da semente que um dia se tornará em bela planta. Isto a propósito do interessante desafio que Urd, a Senhora do Passado, a Mãe Anciã, atirou ao meu caminho na última semana (não s...

Mergulhar em Aegir

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Gigante impossível de abraçar mas de força magnética, o mar alimentou os sonhos de muitos povos e tornou-se rota de descobertas para os Viquingues. Pelos seus braços vogaram velhos barcos carregados de história e de lendas, e pelo sopro dos ventos deram à costa povos heróicos, cujas castas inspiraram Sigebert de Gembloux a criar a lenda de que os Francos eram descendentes de troianos. No mito criado no século XII, Sigebert conta como 12 mil troianos, sob o comando do herói Antenor, fugiram à tomada da mítica Troia de Heitor  e navegaram no dorso daquele que a mitologia escandinava chamaria Aegir, até se fixarem nos pântanos fronteiriços à Panonia. E assim fundaram Sicambri. A natureza guerreira deste povo sem medo, segundo Sigebert, está na raiz etimológica de Franco, "feroz"; e diz que os Hunos provêm de um ramo genealógico de uma tribo de bruxas, chamada de Alirune. Aegir, deus do oceano, um gigante amigo dos deuses de Asgard, e que promovia alegres festas no seu salão...

Yggdrasil: Um Mapa Cosmológico

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Tomei como estímulo a celebração, no sétimo dia de julho, de Caprotina, um dos epítetos da romana Juno e a sua faceta como deusa da fertilidade, para lançar o tema da árvore na cosmologia nórdica. E porquê utilizar um exemplo do Velho Império? Porque o sagrado não obedece a etnias ou sistemas culturais específicos. O sagrado é a linguagem mais universal que a natureza nos oferece para que o indivíduo a entenda, apreenda-a e, sobretudo, que a respeite como entidade divina. Juno Caprotina está associada aos caprinos ( Capra no latim, " cabra" e caper, " bode") e c om a figueira e os seus frutos. Tanto o animal como a referida árvore - diga-se, refúgio da Iluminação de Siddhartha Gautama ou Buda, como preferirem- ambos simbolizam a fecundidade. Passemos então à Árvore Escandinava: Yggdrasil é o símbolo máximo da Árvore Cósmica da mitologia escandinava. Um   imponente freixo que se eleva no centro do mundo, cujo tronco é o pivô da revolução da morad...

Conversa com o pénis de Frey

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Fragmento de um amuleto-pénis romano (Museu de Penafiel) Para representar fisicamente o poder regenerativo do sol primaveril, o indivíduo antigo adotou a imagem da masculinidade, como símbolo desse poder sobrenatural e genésico. O boi/touro e o bode tornaram-se os arquétipos solares por excelência e os seus órgãos genitais símbolos supremos de culto. O falo era venerado em ereção: hierofania da divindade geradora de vida. O esplendor do vigor másculo é o agente ativo da fecundidade da terra, animais e dos seres humanos, e garante da prosperidade e dos prazeres. O culto fálico tem origens longínquas, do tempo em que o indivíduo se apercebeu do seu valor em todos os processos produtivos. Pénis e vulvas formavam uma dupla iconográfica erguida nas planícies reconhecidos em menires e mamoas - os templos sagrados do Homem primitivo. O linga de Xiva retrata essa fusão: o falo do deus apoiado na vagina da deusa numa cópula de procriação perpétua. O hierogamos entre Vénus e Marte, de Ísi...

Iron Skegge e os mártires de Odin

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E, pronto, chegamos à véspera do solstício de verão, à grande festa do culminar do triunfo da luz, que agora começa, aos poucos, a despedir-se do seu reinado para ceder o trono às trevas, no inverno. O Sol é o rei que ilumina a vida, o farol do nosso caminho espiritual, a tocha que nos guia na superação do limites inerciais da consciência, é a luz que nos desperta e nos faz reluzir enquanto indivíduos.  O brilho das nossas convicções é que nos demarca dos restantes e é o foco que nos mantém no trilho do que consideramos justo e livre. Por coincidência, o dia 20 de junho, a véspera do solstício, é assinalado como um marco grandioso da firmeza da identidade do povo pré-cristão que resistiu, sem se vergar, apenas derrotado pela morte, ao Cristianismo. Na Noruega de 998, o novo rei Olaf Tryggvason ordenou a destruição dos antigos templos , numa campanha de terror desde que se convertera ao Cristianismo , mas Iron Skegge e alguns de seus companheiros lutaram com os...

Porque hoje é Ragnarök

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Fimbulvetr, o poderoso inverno, chegou para reinar durar três anos seguidos, e, assim, anunciar a aproximação do final dos tempos da Terra e do Cosmos. O frio intenso e as copiosas quedas de neve consumiram os sinais vitais da planície terrestre e acinzentou os céus, abrindo as portas ao domínio das forças do Caos. Os lobos enraivecidos conseguem engolir o Sol e a Lua, mergulhando Midgard e os Mundos Cósmicos na noite de destruição. Loki e Fenris soltam-se das amarras que lhes dominava a raiva e juntam-se a Garm, o cão-lobo guardião dos portais da morte, e em conjunto lançam-se num ataque desenfreado aos deuses e aos homens.  De Muspulheim, Surtr cavalga na frente do exército dos gigantes do fogo que destroem os sinais vitais dos mundos. A serpente Jormundgandr revolta-se das profundezas do oceano e arrastam os destroços provocados pela invasão do fogo. Os deuses sucumbiram e a humanidade despede-se com a esperança de que Leifthrasir “o desejo de vida” e a sua mulher Lif “o p...